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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Minha adoção








Fui juntamente com minha amiga Jandira no escritório da Dra Shirley, uma pessoa maravilhosa, muito sincera me disse que o NÃO  eu já  tinha que íamos correr atrás do SIM. Depois de uma longa conversa, sai de lá com a certeza que a Dra ia dar o máximo para que conseguissimos adota-la, não me prometeu certeza alguma, mas me afirmou que iria fazer o máximo para a concretização desta tarefa árdua.
Durante um ano todo, continuamos a visita-la no Abrigo, continuamos a pega-la para passar fins de semana em casa, nossos Laços  Afetivos cada vez ficavam mais sólidos e mais firmes.
Como havia me dito o primeiro advogado que procurei,realmente ao dar entrada com o processo de adoção, já devidamente  aprovados no Cadastro de Adoção ( não foi nada demorado esse processo talvez pela nossa idade 53 anos, acho que passamos ser idôneos) provocaríamos a adoção dela.
Pelo que entendi as crianças estão lá esquecidas nos abrigos, ai alguém escolhe a criança, e então eles vão procuram no cadastro  se o perfil daquela criança se encaixa com algum casal.Foi o que aconteceu conosco.Como a Natacha frequentava a creche que a Camila dava aula ainda, ela sempre ficava sabendo que a Natacha iria ao Setor técnico para algum casal conhece-la.No sábado seguinte ao ir fazer a visita no Abrigo, nossa pequena não estava mais lá, tinha saído com um casal para passar o final de semana e começar o processo de adaptação. Voltamos arrasados pra casa, mas como Deus estava do nosso lado a adaptação não deu certo.
Neste período da minha vida percebi com mais  nitidez que as coisas só acontecem realmente quando o HOMEM lá de cima acha que  chegou o momento certo.Foram dias muito preocupantes neste ano, eu no meu intimo questionava se o que estava fazendo era correto, afinal a diferença de idade entre eu e a Natacha são de 50 anos.Com a idade que estávamos eu e meu marido pensamos que o nosso futuro pode ser prolongado ou não, medo de doenças que impediriam a criação dela, medo das questões financeiras, afinal dinheiro não é nosso problema e sim a falta dele.Afinal uma criança para ser educada e criada não sai barato não, disso eu sei bem afinal criei e eduquei 3 filhos.
Neste ano eu já não mais trabalhava mais, fiz um acordo com a Julieta dona da loja que eu trabalhava e ela me demitiu logo após o casamento da Camila. Passei a frequentar a terceira idade de São caetano que é muito boa, com várias atividades de lazer e esportiva.Fiz até uma excursão para uma cidade do interior , ai então me vinham aqueles pensamentos, iria deixar de fazer muitas das minha atividades como viagens, hidro etc.. Não me envergonho em dizer que tive dúvidas sobre adotar ou não, mas ao mesmo tempo o amor crescia avassaladoramente, já era impossível viver sem ela, a cada saída do Abrigo e a cada devolução que fazíamos era sofrimento de ambos os lados.
Quando íamos busca-la no Lar era só festa, ai vinha a volta no domingo, no inicio nós a trocávamos no domingo a tardinha ( ela já tinha pelo menos uma gaveta com roupinhas novas que nós comprávamos) colocávamos as roupas  que ela trazia na sua malinha ( no Abrigo  tudo é coletivo, roupas, brinquedos e calçados) e seguíamos os quatro ela , a Camila o Odair e eu. Ela mudava de fisionomia a cada quarteirão que o carro percorria, muito esperta pra tão pouca idade. Não levavamos mais de meia hora pra chegar lá, era com o coração partido em mil pedaços que a deixávamos lá nas mãos da Tia Ruti ou Tia Leo.Ela chorava muito com as mãozinhas estendida clamando pela Camila e pela Tia  Cida, não gosto nem de lembrar.Com o passar do tempo, dávamos um jeitinho de fazê-la adormecer assim  parecia que o sofrimento seria menos, mas era ilusório, ficávamos imaginando quando ela acordava e não nos via mais.TRISTE, TRISTE DEMAIS.
Só sei que essa luta durou até dezembro de 2004, fazíamos coisas absurdas para sempre te-la ao nosso lado nas saídas, como por exemplo chegar ao Abrigo  de madrugada e ficar na porta do Abrigo para poder agendar a saída dela.
Neste mês de Dezembro minha amigona  Vanise  iria agendar para pegar, nesse altura todos estavam apaixonados por ela , minha amiga se cadastrou e levava ela pra casa e nós aproveitávamos passando o dia todo na casa dela.
Chegaram as festas de fim de ano  como a Camila já estava casada e morando em outra residencia ela pegaria no natal e eu no Ano novo.Mas nossos planos foram modificados pelo destino.A saída da GUARDA PROVISÓRIA. Não acreditei em principio, mas era verdade a Dra Soraya concedeu-nos a guarda da nossa filha.
Correria geral. arrumar o quarto para acomodá-la, comprar mais roupas, a casa virou de cabeça pra baixo.
Parando um pouco agora, depois conto o resto.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Minha Adoção

Continuando, nesta primeira estadia dela aqui em casa, eu quase não participei da convivencia com ela, pois epoca de Natal, tinha muito movimento na loja, só sei que na noite  do dia 23 eu chorei muito, olhava pra aquele bebe ali no colchão e uma tristeza muito grande  em saber que ela não tinha ninguém consanguineo do seu lado.
Nestes 15 dias a Camila passeou muito com ela, parques, casas de amigos.Ela era uma criança muito comunicativa, brincalhona só com  homens ela era um pouco arredia, talvez por não ter muito contato com o sexo oposto, visto que no Lar eram só funcionárias que cuidavam do berçario.
Como já disse anteriormente ela entrou em nossa casa e em nossas vidas muito intensamente.Nestas  primeiras visitas eu era Tia Cida e o Tio Odair. A partir dai, nos meses seguintes, não deixamos  de fazer uma visita sequer  mensal, ou quinzenal ( no inicio era mensal, depois passou a ser quinzenal) no Abrigo onde ela vivia.Passavamos a manhã inteira no abrigo, voltavamos pra casa e voltavamos a tarde-
No abrigo em que ela vivia havia um programa chamado Familia Solidária, que consistia na retirada de uma criança  para passar fins de semana, ferias e festas de fim de ano.Essa retirada era feito através de um cadastramento e posteriormente um agendamento por telefone ou pessoalmente em data pré determinada.
Minha filha Camila na época estava de casamento marcado para março de 2004, estavamos em janeiro e ela cogitou em adotar a Natacha, só que eu e o Odair, um sem falar nada pro outro tinhamos a mesma intenção.
Em um final de semana agendei a Natacha para um fim de semana,muita alegria na hora de pega-la, mas na hora de devolve-la, choravamos muito na hora de deixa-la  no Lar e o pior, ela ficava aos prantos.
No dia seguinte, no jantar eu muito triste em pensar nela sózinha no abrigo, o Odair pediu para em sentar ao seu lado e falou o que eu queria ouvir: Estou com o telefone do Conselho Tutelar, vamos adotar a Natacha.Concordei prontamente, e no dia seguinte eu e a Camila rumamos para o Setor Técnico afim de ver e esclarecer os tramites que deveriamos seguir para entrar  com o pedido de adoção.
Parece que tudo me conduzia para a adoção mesmo, matérias na tv, jornais, parece que tudo caia nas minhas mãos.Procurei um advogado aqui em São caetano, e saimos muito desanimados com as palavras dele, ele nos disse que  seria muito difícil, pois não estavamos cadastrados, e que talvez se provocassemos com processo a adoção dela, talvez saisse a adoção da Natacha, não para nós mas sim para algum casal que estivesse na fila há anos.A Nana tinha o perfil preferido entre os pretendentes a adoção, menina, branca até tres anos de idade.
Como já disse tudo  me levava pra frente, frequento muito um mercado que possui uma publicação de uma revista a COOP que era distribuida gratuitamente, peguei a revista e para surpresa quando abri, havia uma reportagem sobre ADOÇÃO, havia uma entrevista com uma pessoa da FEASA que era voluntária de um Grupo de Apoio a Adoção Laços de Ternura, a Maria Ines.Na mesma hora liguei pra redação da revista e consegui o telefone da Maria Inês.
Liguei e ela se mostrou interessadissima no meu caso, acho que ficamos mais de uma hora no telefone, quando desliguei imediatamente liguei para uma advogada que também era voluntária do Grupo, Dra Shirley.

Minha Adoção


Tenho notado diariamente em sites que contem depoimentos de pessoas que  estão a espera de seus filhos, que várias pessoas acabam desistindo  pela  demora na fila do cadastro.Resolvi contar como foi a minha adoção.
Em Dezembro de 2003, eu trabalhava em loja num shopping, com 3 filhos já adultos biológicos, nesta época o Leonardo tinha 28, o Renato 26 e a Camila 23,casada com o Odair há 29 anos.Minha filha era professora em uma creche, e eu já havia notado a frequencia com que ela falava de uma menininha de um abrigo que frequentava a creche em que ela trabalhava.Ela era diferenciada, minha filha sempre teve muito jeito para tratar com crianças, tanto que cursou Pedagogia, apesar de amar todos seus pimpolhos, a Natacha era especial.Sempre levava guloseimas para ela, frutas, yogurte, tratava com muita dedicação dos cabelinhos, muito crespo, praticamente cachos indomáveis.
Um belo dia, eu correndo com o almoço para ir trabalhar e lá vem a Camila com novidades, que iria trazer aquela garotinha para passar o Natal e Ano novo aqui em casa.Logo pensei no Odair, ele  com certeza não iria gostar nada dessa idéia, mas como a gente se engana, mesmo convivendo há anos com uma pessoa e achando que o conhece mais do que  ninguém, ai vem a surpresa, não falou nada que demonstrasse insatisfação.Eu  repudiei a idéia, dizendo que nem iria olhar pra ela, nesta época de natal, trabalhava praticamente o dia inteiro sem sabados e muito menos domingo, e logo fiquei pensando além de nós 5 para fazer almoço, cuidar da roupa, da casa, ainda teria que me preocupar com uma criança de apenas 1 ano e 9 meses, que ainda usava fralda, essa era a minha preocupação.
Mas não adiantou nada meus argumentos, minha filha Camila nunca foi muito obediente , brincadeira, ela simplismente era apaixonada pela tal Natacha.No começo ela sentia muita pena, pois a dedicação que dedicava a ela, fazia mal ás duas.Me dizia que na hora que a perua escolar chegava para busca-la na creche e leva-la de volta ao Lar a Nana  gritava muito agarrada a Camila, conclusão uma partia chorando e a outra ficava em prantos.
Bom resumindo, no dia 23 de Dezembro de 2003 logo que cheguei da loja e entrei no meu quarto, do lado em que eu dormia, no chão em um colchão  Deus tinha colocado a Natacha, não só na minha casa, mas definitivamente na minha vida.
Assim como o amor brotou no coração da Camila, em mim e no Odair aconteceu a mesma coisa.
Mamãe,
Você chegou assim tão de repente tantas dores eu passei...
Mas no fundo eu sabia que havia um porto seguro para mim, cconsegui amortecer o meu passado em seus braços seguros, eternos e com suas doces palavras que me libertaram da dores que por muito tempo eu senti.
Aprendi a entender que você é uma das poucas pessoas que é capaz de me tornar-me muito feliz e como eu precisava disso!!
Parei de falar com a noite vazia e comecei a falar palavras guardadas dentro do meu coração que por bastante tempo me machucaram.
Hoje tenho você; tenho o sol, a lua as estrelas, o céu e o infinito, tenho o que mais precisava o AMOR.
Obrigada. Você e o papai fizeram renascer em mim a VIDA.
Me mostraram o que é felicidade paz e me ensinaram andar sem ter medo.

PARABÉNS A TODAS A MAMÃES QUE POR ALGUM MOTIVO NÃO TIVERAM OS SEUS, MAS COM SEU CORAÇÃO CHEIO DE AMOR PUDERAM MUDAR A VIDA DE UMA CRIANÇA E TORNA-LA MAIS FELIZ..ESSA SIM PODEMOS CHAMAR DE ANJOSS...!

~Polly Borges ;*

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Adoção - Alerj - Staff Brasil



Para agilizar os processos de adoção, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Alerj, aprovou a lei 6.058/11, que garante a prioridade de tramitação dos processos de adoção. E para divulgar a lei, entra no ar em fevereiro um novo filme criado pela Staff para a Alerj. A produção que leva o título de "Processo abandonado" faz parte da campanha Adoção.
Para o comercial, a Staff apostou em cenas impactantes. Como a lei em questão evita que os processos de adoção sejam abandonados devido à demora, a agência utilizou recursos que mostram o envelhecimento de móveis, roupas e cortinas ilustrando a longa passagem de tempo.
Categoria
Filmes e desenhos
Licença

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Um pouco da minha adoção


Bebe deve ir para adoção

O bebê da mulher que morreu após ser agredida pelo marido quando estava grávida deverá ser destinado para adoção. O pedido de destituição do poder familiar da pequena Vitória, que encontra-se internada no Hospital Universitário, em Maceió, foi feito pelo Ministério Público Estadual (MPE), diante dos laudos apresentados pelo Hospital Portugal Ramalho, Capes e Conselho Tutelar de Anadia.
Segundo a promotora de Justiça, Cecília Carnaúba, o MPE entendeu que a guarda da criança não poderá ficar com o pai, que está preso na Casa de Custódia de Arapiraca, e nem com a família paterna, como foi cogitado pelos parentes de Adriano da Silva Rodrigues. "O que foi avaliado neste caso não foi apenas as condições sociais de pobreza das famílias, mas sim fatores que estão atrelados a elas como desagregação familiar e falta de condições adequadas para instalar o bebê", falou a promotora.
Agredida pelo marido com uma barra de ferro no dia 6 de janeiro deste ano quando estava grávida de 8 meses, a agricultora Gilvanete Silva não resistiu às três cirurgias, entre elas a cesariana realizada com urgência para não perder o bebê, e morreu no hospital. A menina, que nasceu com menos de 2 quilos, permaneceu internada e recebeu o nome de Vitória pela equipe médica. O casal morava na zona rural do município de Limoeiro de Anadia.
Segundo a assistente social Michelline Costa do Hospital Univeritário (HU), local onde o bebê está internado, algumas pessoas procuraram a Assistência Social no intuito de adotar a criança. "Para todos os interessados, deixamos claro que estamos com a responsabilidade temporária da criança, mas que as questões referentes à adoção deverá ser vista junto ao Juizado da Infância e Adolescência", expôs.
Diante da hipótese de adoção, a promotora Cecília Carnaúba enfatizou que antes do processo de adoção será necessário que seja concluído a destituição do poder famíliar. "Até lá, a criança terá a guarda e proteção assegurada", concluiu.
A promotora informou ainda que a irmã de Vitória, de menos de 2 anos, que está com a avó materna e também é filha do agressor, deve ter o mesmo destino. Já família materna das crianças se recusou a ficar com o bebê alegando falta de condições financeiras.
Artigo retirado da Tribuna ( Alagoas)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Luiz, de 12 anos, chegou a uma das Varas da Infância de São Paulo apenas com uma mochila nas costas. Nenhum brinquedo, nenhum livro, nenhum CD. Além de trazer poucos pertences, o menino parecia triste. Bem triste. Estava ali para ser devolvido. Depois de cinco anos em uma família, a mãe que o adotou não o quis mais. “Foi devolvido como se fosse um saco de batatas”, disse a psicóloga da Vara da Infância, Mônica Barros Rezende, que acompanhou o caso. A alegação da mãe adotiva foi que ele não obedecia mais. “Não aguento mais. Ele desobedece, falta na escola”, teria dito ela. A intervenção do Conselho Tutelar não adiantou. O Judiciário propôs uma terapia familiar, mas a mãe não compareceu. O que fazer? Luiz voltou ao abrigo para viver a experiência de abandono. O segundo. Na família em que nasceu, o pai o espancava com um pau e foi preso por tráfico de drogas. A mãe, que também apanhava do marido, não lhe dava comida nem banho. Luiz foi parar em uma instituição aos 2 anos, depois de ser encontrado pela polícia sozinho, aos prantos, com fome e sujo. Como ele tinha uma avó, o Conselho Tutelar deu-lhe a tarefa de criá-lo, mas ela não conseguiu. Ao voltar ao abrigo, Luiz estava com hematomas e um braço quebrado. Ficou ali até ser adotado, aos 7 anos. O Judiciário avisou que o menino tinha problemas de anemia, raquitismo e arritmia do coração, e a mãe adotiva o levou ao médico inúmeras vezes. Tudo parecia bem. Mas, quando ele entrou na adolescência, a mãe adotiva teve dois netos e, segundo os técnicos que acompanharam o caso, ela passou a cuidar mais deles que de Luiz. “O meu primo nasceu, e minha mãe só cuida deles”, teria dito o menino.
Luiz, como os demais personagens desta reportagem, recebeu um nome fictício, mas sua história é dolorosamente real. Há muitos casos de adoção que terminam dessa forma, naquilo que os especialistas chamam de segundo abandono. Não deveria acontecer, mas acontece. Existe uma brecha na lei quando a situação é irreversível ou acontece antes de a adoção ser formalizada. Traumática, assustadora, a devolução é o caso extremo de um fenômeno pouco discutido: o lado B da adoção – os problemas inesperados, os conflitos. Por ser um tema muito delicado, fala-se pouco sobre os problemas que enfrentam as famílias adotivas. As angústias e dificuldades existem, são palpáveis e se forem amplamente discutidas podem evitar situações desastrosas para a família que adota e, principalmente, para a criança, que já sofreu um primeiro abandono, o da família biológica. “Aquele discurso de que adoção é um ato de amor é, no mínimo, ultrapassado. A adoção demanda um estudo da situação, um preparo muito especial para aquilo que as pessoas estão se dispondo a realizar”, afirma o juiz Reinaldo Cintra Torres de Carvalho, da Vara da Infância da Lapa, em São Paulo. A maior parte das adoções tem um final feliz, mas, para que o sonho não se torne um pesadelo, quem adota precisa conhecer melhor esse universo. “O sentimento pela criança adotada pode ser o mesmo de um filho biológico, mas a situação não é a mesma”, diz a psicanalista paulista Maria Luiza Assis Ghirardi, que estuda o assunto há 15 anos e publicou no ano passado, na Universidade de São Paulo, a tese Devolução de crianças e adolescentes adotivos sob a ótica psicanalítica: reedição de histórias de abandono. “O fato de uma criança ser adotiva traz especificidades. O fato de alguém não poder gerar um filho também tem suas especificidades que precisam ser aceitas.”

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Adoção tardia

DEPOIMENTO DE UMA CRIANÇA ADOTADA TARDIAMENTE!

“Não importa se consegui ser adotada com mais idade. Foi maravilhosa essa sensação que eu tive quando sentei no colo do meu pai pela primeira vez... a sensação de ser amada e poder amar, e ter certeza de que essa pessoa – o pai ou a mãe- que eu estava esperando há tanto tempo! Deus coloca os pais certos na hora que ele achar que você vai ser feliz. Deus colocou minha mãe e meu pai na minha frente quando ele achou que era a hora de me dar meus pais e eu sou profundamente feliz"!

A adoção de crianças com mais de três anos é considerada “adoção tardia”. Esse termo é baseado no desenvolvimento infantil, pois a partir desta idade a criança já desenvolveu autonomia parcial: não usa fraldas, come alimentos sólidos, ou até come sozinha, fala, anda, não é mais considerada um bebê.
O principal receio dos pretendentes é a história pregressa das crianças, o medo do passado, das vivências que já acompanham esse serzinho, e o receio de não saber lidar com isso. Fica-se com a impressão de que um bebê é mais facilmente “moldado”, que é mais fácil amar um bebê totalmente dependente do que uma criança maior.

Numa pesquisa realizada por Weber (2001), com mais de 240 famílias adotivas, percebeu-se que as adoções ditas tardias são diferentes das adoções de bebês apenas na fase de ajustamento. As dificuldades encontradas referem-se aos processos de socialização, da dinâmica familiar e práticas educativas da família, ou seja, poderiam acontecer também com um filho biológico ou uma adoção de bebê.
Mas para optar por uma adoção tardia é preciso preparo, abertura e disposição para enfrentar a fase de ajustamento. A história da criança pode ser marcada por dor, abandono, sofrimento, negligência. Os pais devem focar na construção do vínculo afetivo, em fazer com que a criança se sinta segura e amada, e que possa confiar novamente em um adulto.

A adoção tardia tem algumas características próprias, que podem acontecer seqüencialmente ou ao mesmo tempo, lembrando sempre que cada caso é um caso, e a intenção desse texto é apenas dar uma idéia aos novos pais sobre o assunto.

• Fase do encantamento ou lua de mel: a criança faz de tudo para agradar os novos pais e se sentir parte da família, isso geralmente ocorre no estágio de adaptação (que pode durar 1 ou 2 meses, com crianças até 6 anos, mas pode se prolongar por mais tempo com crianças maiores).

• Fase de testes: quando a criança se sentir “escolhida”, ela passará a testar os novos pais, com provocações, agressividade, tudo para ver se os pais realmente a amam e se não irão abandoná-la (como nas vivências anteriores). Neste momento é preciso ser firme, impor limites e regras, mas sempre com afeto e carinho. Enfrentar as birras com firmeza, mas sempre deixando claro que você é a mãe da criança, e será para sempre, mas que agora ela precisa guardar os brinquedos, por exemplo. Na psicanálise dizemos que a criança pode projetar na mãe adotiva, inicialmente, toda a raiva sentida pela genitora que a abandonou. Isso acontece por um período, e se a mãe adotiva conseguir acolher essa raiva com amor, sempre colocando que será mãe da criança para sempre, que ela o ama e não irá deixá-lo nunca, essa fase irá passar, naturalmente.

• Regressão: A criança passa a agir como bebê, a fazer xixi na cama, a pedir colo a toda hora, ou querer usar chupeta. É como se ela quisesse viver todas as fases que não viveu com a genitora com você, é um renascimento nessa nova família. Quando a regressão começa a acontecer vemos como algo positivo, uma necessidade dessa criança se vincular a essa nova família, a construir uma história nova e viver a fase de bebê e renascer nessa nova mãe. Atenda com naturalidade, ela precisa desse espaço e tempo para a formação de um vínculo.

• Adaptação: Não se assuste se no começo da convivência ela trouxer uma linguagem inadequada, ou comportamentos aprendidos no período de abrigamento. Dê tempo para que a criança se adapte aos costumes e hábitos de sua família. Também não tente apagar a história dela. Tire fotos de todos do abrigo, e se ela quiser retornar em alguns momentos para ver alguém, permita. Mas deixe que isso seja espontâneo, não force, vai depender do vínculo que ela construiu com os cuidadores. Com o tempo naturalmente ela irá se afastar e se reintegrar a nova vida.
Para essa nova vida, é importante sempre celebrar a adoção, fazer fotos de diversas situações, independente da idade da criança. Você pode montar um álbum com foto do dia em que se conheceram, a primeira vez que ela foi até a sua casa, a primeira noite que dormiu na sua casa, o dia que conheceu os avós e tios, tudo é fundamental para marcar essa nova fase! Faz parte do renascimento dessa criança, registre e mostre como foi especial para você!

Cada criança traz uma história, diversos grupos de apoio à adoção auxiliam casais no pós adoção, mas dependendo da situação e da história vivida, aconselho um apoio psicológico para a criança e os novos pais. As pessoas são diferentes, e para alguns pode ser mais difícil lidar com determinadas situações. Por isso a adoção tardia deve ser pensada e preparada, pois exigirá bastante dos novos pais.
Para encerrar esse artigo, seguem dois depoimentos, um de uma criança adotada tardiamente, e outro de uma mãe, retirados do livro Adote com Carinho, da Psicóloga Lídia Weber (Curitiba, Juruá Editora, 2009).

“Não importa se consegui ser adotada com mais idade. Foi maravilhosa essa sensação que eu tive quando sentei no colo do meu pai pela primeira vez... a sensação de ser amada e poder amar, e ter certeza de que essa pessoa – o pai ou a mãe- que eu estava esperando há tanto tempo! Deus coloca os pais certos na hora que ele achar que você vai ser feliz. Deus colocou minha mãe e meu pai na minha frente quando ele achou que era a hora de me dar meus pais e eu sou profundamente feliz.
S., 15 anos (pág. 103)
Tão fantástico como apresentar um mundo a um bebê é redescobri-lo, junto com seu filho através da adoção tardia.
L. L., mãe de dois filhos (pág. 102)
http://www.psicologiadaadocao.com.br/painel/noticias-descricao.php?id_noticia=8

Carta de uma mãe adotiva



"A você que também foi mãe do meu filho, a você que me deu o presente mais valioso que jamais ganhei em toda a minha vida.

Peço a Deus todos os dias para que você esteja bem, para que tenha saúde e que possa ter outros filhos, quantos quiser e se quiser.

Que seja feliz, que nunca, jamais se arrependa do gesto de amor que praticou.

Que, por mais que não me conheça e não saiba para onde foi o bebê que você gerou, gestou e pariu, saiba em seu coração que ele está bem e que está com a melhor família que poderia ter encontrado. Uma família que o desejou por tantos anos e que fará de tudo para que ele seja a criança mais feliz do mundo.

Peço também que meu filho tenha herdado seu senso de responsabilidade e que saiba como você arcar com as consequências de seus atos... Que não prefira o caminho mais fácil ou rápido, mas sim busque o caminho correto.

Que, como você, respeite a vida humana acima de todas as coisas.

Obrigada por, diante de uma questão de tamanha importância, não ter pensado somente em si, mas também na vida que gerava e nas vidas que poderia mudar tomando a decisão que tomou.

Obrigada por ter tomado essa decisão!"